Talvez seja muito alarmista dizer que as novidades tecnológicas levam e levarão a mudanças irreversíveis nas pessoas. Talvez. Em vez de email, o Twitter. Em vez de um website, uma página no Facebook. O que aconteceu com a Internet nos últimos anos esboça, mais do que um modo diferente de se navegar, um jeito novo de se comportar diante dos fatos, da própria vida. Como bem pontuou um publicitário durante palestra na Faap de Ribeirão Preto, dia desses, não é você quem procura a notícia, mas é ela quem te procura. Fato inquestionável, mesmo quando o jornalismo está perdido em meio ao caótico mar de atualizações instantâneas da maior rede social do planeta.
Terminal urbano repleto de gente. Calor das onze, ônibus que chega, ônibus que sai. É quarta-feira. Sentei-me em um banco e ensaiei dar início à leitura de uma revista, uma matéria sobre Andy Wahrol e a cultura pop do século 20. Do meu lado, como quem queria puxar papo, um senhor chegou fazendo um comentário … Continue a leitura
Para os que não vêem luzes, uma luz ainda brilha. Para os que professam alguma religião, adeptos do cristianismo, islamismo, judaísmo etc, o credo é muito importante. Sustente-a consigo, pois são saudáveis ao ser humano regras para preencher o vácuo de sua existência. Entretanto mais vale a fé que você sustenta dentro de si e … Continue a leitura
Quem é esse homem, maltrapilho, que caminha sem destino pelo asfalto molhado de chuva e que não sente nem os pés sujar com seu par de chinelas de borracha? Que sentido de vida esconde o âmago dessa pessoa embriagada nos seus pouco mais de 50 anos? Um magro, camiseta vermelha furada, bafo fedendo à pinga … Continue a leitura
Tem gente que ri, mas não sabe daquela que chora, sentada no banco, com a filha no colo, tentando ter o descanso da dor. A dor é da queda brusca no ônibus em movimento que resultou numa fratura na perna direita, mas se faz impetuosa porque também é a consternação da vida; uma fisgada na … Continue a leitura
O que é o Natal? Cada um de nós já deve ter feito esta pergunta ao menos uma vez. É caminhar por pedras escorregadias tentar supor uma definição para este Natal que vivenciamos hoje, em que há consumo, luzes, eufóricas palavras de amor, em meio ao verdadeiro sentido da festa — o nascimento do Menino … Continue a leitura
“O senhor quer que eu olhe o carro?”, pergunta-me o homem a duas quadras do ponto a ser visitado, numa rua adjacente à avenida Agnaldo Machado Pourrat. Minutos antes de estacionar, já tinha observado a movimentação maluca de pessoas e automóveis pelas vias que dão acesso ao Cemitério Municipal. O clima ali era bastante comercial. … Continue a leitura
Oh, tarde infértil! O vento levanta a cortina, como quem traz um presságio. Ah, tarde estranha! A cruz pendurada na parede, uma esperança esquecida num canto da sala. A estante cheia de caixas velhas, que parecem me mostrar que por aqui o tempo escorre de maneira avassaladora.Oh, lugar de sonhos desfigurados! Destinos extirpados pela ilusão … Continue a leitura
Bem ali, no canto do teto da Igreja, estão acumuladas teias e mais teias de aracnídeos. Demonstram a força do tempo e, de certa forma, descuido com a limpeza do templo. Ao fundo, o som fúnebre e dilatado do órgão. As vozes dos fiéis misturam-se às conversas adjacentes. Uns falam das barbaridades que assustaram a … Continue a leitura